quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Lágrimas ocultas

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Florbela Espanca

10 comentários:

Margarida Fernandes disse...

Florbela Espanca...a minha poetisa favorita.

Gostei muito da fotografia.

Beijinho

al disse...

Uma grande escritora sim.
Beijos

Multiolhares disse...

na vida tudo passa, mas por vezes passa de uma forma que parece que estamos a ver a nossa vido passar numa tela de cinema
bj

teca disse...

Florbela inspira... sempre.

Beijos ternos, al querido.

▒▓█► JOTA ENE disse...

ººº
Gostei do pormenor da foto, bem como da poesia.

As vezes que apanho esse metro (Martim Moniz)

Abraço!

al disse...

Multiolhares, pena que seja um filme onde não se pode voltar atrás... ás vezes apetecia.
Beijos

É verdade Teca. Beijos

Jota Ene, quem sabe não nos cruzámos por lá já algumas vezes. Abraço.

Pedrasnuas disse...

EU TENHO A COLECÇÃO COMPLETA DE FLORBELA MAS O MUNDO DEPRESSIVO DELA MEXE COM O MEU E NÃO CONSIGO IR ATÉ AO FIM...

ADOREI A FOTO E O POEMA

al disse...

Pois é Pedras Nuas, tem vários textos que marcam.
Beijos

SKIZO disse...

Excellente
Work
Tank you for sharing

al disse...

Thanks Skizo.